segunda-feira, 31 de julho de 2017

SALVATERRA DE MAGOS: À ANTIGA PORTUGUESA COM LOTAÇÃO ESGOTADA!

Salvaterra de Magos, 28 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

À Antiga Portuguesa foram as cortesias. À Antiga, a adesão dos aficionados. O toiro despertou um interesse acrescido à XV Tourada Real – com a presença dos Duques de Bragança - anunciada para Salvaterra de Magos. Os de Veiga Teixeira saíram rematados de carnes, sérios, o 5.º e 6.º superiores de apresentação. O primeiro investiu com raça e transmitiu emoção. Foi um grande toiro! Os restantes vieram a menos, aquém do esperado por todos.

Luís Rouxinol assinou duas actuações distintas, mas ambas com conteúdo. Com o seu primeiro, um “Veiga” exigente, o cavaleiro de Pegões aguentou, com enorme mérito, as primeiras investidas do toiro, e montado no “Equus do Zambujal”, cravou três compridos de forma superior. O toiro nunca admitiu equívocos, investiu sempre com raça, transmitiu sempre emoção, e fez com que dele todos estivéssemos pendentes. Com a “Viajante”, Rouxinol manteve a atitude e os dois primeiros curtos foram extraordinários. O segundo do seu lote foi manso, com querença nas tábuas, e montado no “Douro”, com disposição e ofício, Rouxinol resolveu os problemas.

João Moura Jr. e João Telles Jr. apenas “se fizeram à vida” nos dois últimos da noite. Na primeira parte, as suas prestações foram desprovidas de interesse, mas em Boa-Hora decidiram inverter o rumo dos acontecimentos. Moura Jr. pôs vibração no seu toureio no quinto, e montado no “Xeque-Mate” brilhou nos recortes por dentro, e cravou dois curtos que sobressaíram. Por outro lado, com o sexto, Telles Jr. apontou um grande comprido com o “Gaiato” e animoso com o “Equador da Pêra Manca”, encerrou com dois curtos impactantes.

Pelos Amadores de Alcochete pegaram João Machacaz e Pedro Viegas, duas boas intervenções, ambos à primeira tentativa; enquanto António Manuel Cardoso apenas concretizou à terceira. Pelo Amadores de Salvaterra de Magos pegou Carlos Travessa à terceira tentativa, o grupo deixou “ir vivo” o quarto, e Ramiro Sousa e Nilton Milho pegaram de cernelha o último da noite. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

LISBOA: ANTÓNIO DEU MAIS “VIDA” À CATEDRAL DO TOUREIO A CAVALO

Lisboa, 20 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

Fez-se jus ao seu nome: Catedral do Toureio a Cavalo. Como que a homenagear os seus 125 anos de história. Como que a recordar os nomes que ali escreveram as páginas de glórias que nos engrandeceram e catapultaram para o mundo, como os melhores interpretes do Toureio a Cavalo.

António Ribeiro Telles deu “vida” à Catedral, ontem, no segundo da noite. O toiro de Murteira Grave revelou-se exigente logo de saída. Com o “Embuçado”, António apontou duas tiras discretas; mas nos curtos, a lição de Toureio a Cavalo que deu, montado no “Alcochete”, fez-nos encher de satisfação. Aliado ao conhecimento com que preparou as sortes, o “segredo” do triunfo esteve na forma como atacou o toiro, como o provocou no corredor da verdade, como o “encheu” de cavalo – até à fronteira que separa o possível do impossível – para depois receber a investida à espádua e cravar ao estribo. Com risco e emoção. Foram cinco curtos extraordinários! Dos que nos fazem: Gritar. Aplaudir. Levantar.

Todos os toureiros têm o seu espaço. Mas nós, portugueses, não precisamos de “imitar”; não precisamos de “favores”; não precisamos de “idolatrar”. Temos a obrigação de saber valorizar e promover o nosso Toureio a Cavalo. Está na hora de recuperar o tempo perdido… António foi premiado com duas voltas à arena, mas vulgarizadas que estão, merecia lá continuar a agradecer…

Luís Rouxinol teve um grande início de actuação com o terceiro da corrida. Os três compridos que apontou foram sensacionais. Com o “Equus do Zambujal” marcou a diferença e empolgou os aficionados. A actuação veio de mais a menos com a “Viajante” e terminou com um superior par de bandarilhas com o “Antoñete”. No fim, o ganadero foi chamado à arenas (o toiro teve muitas virtudes, mas não só…) e a segunda volta de Rouxinol com  Francisco Graciosa (Amadores de Santarém) foi excessiva. Apenas a merecia o forcado.

Manuel Telles Bastos teve uma actuação com mais querer que poder. Começou com uma sorte de gaiola vibrante com o “Xirico”. O toiro teve as suas dificuldades, e montado no “Diestro”, andou prudente.

Acarinhado pelo público, esta noite foi para Luís Rouxinol Jr. a noite de todos os seus sonhos. De saída quis mostrar as suas intenções. Com o “Aquiles” cravou um grande comprido. De inicio o toiro foi pronto e alegre, mas montado no “Douro”, só a espaços se entendeu com ele.
A noite terminou com as actuações a duo, entre António Telles e Manuel Telles; Rouxinol pai e filho. Entretidas, e pouco mais…

O curro de Murteira Grave marcou o interesse da corrida. Com trapio (condizentes com a categoria da Catedral), encastados e exigentes sobretudo os quatro primeiros. Uma corrida para Toureiros com maiúsculas.

A noite foi dura para os homens da jaqueta de ramagens que se tiveram que agigantar perante as dificuldades. Pelos Amadores de Santarém pegaram Lourenço Ribeiro à 1.ª, Francisco Graciosa também à 1.ª (a pega da temporada até ao momento) e Luís Seabra à 2.ª. Pelos Amadores de Coruche concretizaram Pedro Coelho à 5.ª, Paulo Oliveira à 1.ª e António Tomás dobrou José Marques. 

sábado, 15 de julho de 2017

LISBOA: A CLASSE DE MANZANARES…

Lisboa, 13 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

CLASSE. A palavra que define a última noite de toiros no Campo Pequeno. A palavra que define o toureio de José Maria Mazanares.
A faena ao quarto da noite (Garcia Jimenez), que de início investiu no capote do toureiro de Alicante, pelos dois pitóns, com nobreza e humilhado, fez-nos acreditar que algo de importante se pudesse vir a passar na arena de Lisboa. O saludo capotero foi precioso. A expressão de cada verónica e aquelas ajustadas chicuelinas, de mãos baixas, foram obra de génio. Depois José Maria levou a cabo uma faena perfumada de classe, temple, harmonia e torería. Gostou-se Manzanares. Completamente metido na faena, esteve extraordinário com a mão direita e com la zurda igual. Toureio do caro. Com empaque nos tendidos. Apoteótica faena de José Maria Manzanares.

Com o seu primeiro esteve sóbrio; o toiro de Núñez de Tarifa não acabou de romper, igual que a faena. Com o último, de Juan Pedro Domecq, com o capote voltou a entusiasmar –  como sobresaliente “Cuqui” saiu ao quite por gaoneras – e quando a faena começara a ganhar forma convidou de novo Joaquim Ribeiro para partilhar consigo a faena. Inédito e Inoportuno. “Cuqui” agradecido respondeu com entrega. Quem pagou para ver Manzanares com três toiros sentiu-se defraudado.

No quarto toiro Manzanares foi premiado com duas voltas à arena, e no sexto (faena que não fez!) com mais duas. Resultado: saída em ombros pela porta grande!? Como!? É pena que a grandeza do toureio se misture com outros interesses…

A presença de Pablo Hermoso de Mendoza resumiu-se à sua última actuação. Os dois primeiros toiros de Charrua não serviram para Pablo brilhar, sem raça (Jacobo Botero como sobresaliente cravou dois curtos no segundo); o ultimo teve mais virtudes, mas no meu entender não tantas como o “Presidente” entendeu, com a chamada do ganadero à arena.  Montado no “Brindis” e com o “Disparate”, tirou partido das hermosinas e cravou os seus melhores ferros da noite.

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Barreto á segunda tentativa, João da Câmara à quinta e a encerrar Francisco Borges à primeira.

domingo, 9 de julho de 2017

PORTALEGRE: GRANDE NOITE DE TOUREIO A CAVALO À PORTUGUESA. GRANDE NOITE DE DUARTE PINTO

Portalegre, 9 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

Hoje (finalmente!) posso escrevê-lo: grande noite de Toureio a Cavalo à Portuguesa. A praça de toiros de Portalegre voltou a ter vida, ontem, após dois anos de portas fechadas. Nos tempos que correm, ter verdadeiros motivos para rejubilar e para enaltecer é quase uma raridade. Mas acertei no dia!
Duarte Pinto assinou (porventura) a noite mais redonda da sua carreira. Os toiros do Eng. Jorge de Carvalho saíram dispares de apresentação, mais colaborador o lote de Miguel Moura, e complicados e exigentes os de António Telles e Duarte Pinto. A pedir cavaleiros que os saibam tourear! Porque cada toiro tem a sua lide. E triunfar assim, ainda tem mais mérito!

Duarte construir duas actuações baseadas no conhecimento. Entendeu os problemas dos adversários e teve argumentos para os explorar. Tranquilo. Confiante. Ambicioso. Com perfeita noção do que é o toureio a cavalo, andou em plano de exímio lidador toda a noite. Pela forma como preparou as sortes, pelos terrenos que pisou e as distâncias que escolheu… Tudo com critério e sentido. De saída, montou o “Barão” (1.º) e o “Espectáculo” (2.º) e com eles marcou pontos; depois com o “Cesário” no seu primeiro, cravou cinco curtos extraordinários, e com o “Visconde” no seu segundo voltou a empolgar. Uma grande noite de Duarte Pinto!

Quem também acompanhou o meu entusiasmo foi António Ribeiro Telles. Sobrado e Toureiro, apoderou-se do seu primeiro na fase mais complicada. Depois com o “Veneno”, alegrou os cites, e cravou cinco curtos muito idênticos no resultado. Para dar resposta ao seu segundo António também preciso de “puxar pelos galões”. Com decisão, foi à cara do toiro, e montado no “Favorito” voltou a alegrar quem teve a capacidade para perceber que em Portalegre vimos Tourear a Cavalo à Portuguesa!

Beneficiado no sorteio, Miguel Moura conserva a disposição que o caracteriza, todavia o seu toureio tem dinamismo, mas falta de consistência. Um curto no seu primeiro é o que guardamos da sua presença.

Houve competição entre dois grupos alentejanos. Pelos Amadores de Montemor -o-Novo pegaram Vasco Ponce, Vasco Carolino e António Calça Pina, todos à primeira tentativa. Pelo grupo de Portalegre concretizaram Nelson Batista à terceira, Ricardo Almeida à primeira e João Fragoso também à primeira. No fim, o troféu “Pedro Bela Corça” para o melhor grupo recaiu nos Amadores de Montemor-o-Novo e o troféu “Francisco Matias” no forcado João Fragoso do grupo de Portalegre.  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

LISBOA: FOI PRECISO ESPERAR PELO ÚLTIMO…

Lisboa, 6 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

Foi preciso esperar pelo último. Com paciência. Com resistência. Com afición…

A corrida começou com as actuações a cavalo. Os dois toiros de Falé Filipe escolhidos para o efeito deixaram-se, mas Jacobo Botero desperdiçou a oportunidade dada pela empresa do Campo Pequeno; enquanto Parreirita Cigano andou intermitente. Pelo Aposento da Moita pegaram Ruben Serafim e Leonardo Mathias, ambos à terceira tentativa.

O interesse da noite estava na presença dos matadores de toiros El Fandi e Juan del Álamo, mas a falta de fundo dos toiros de Falé Filipe desluziram as intenções dos toureiros e o optimismo dos aficionados. A corrida saiu díspar de apresentação, basto o quarto (como se pode escolher um toiro com aquelas hechuras para o toureio a pé?), terceiro e sexto mais finos. Dos quatro, apenas se aproveitou o último. Com mais raça e com mais transmissão que os seus irmãos de camada, o suficiente para que algo se passasse na arena. El Fandi andou poderoso nas bandarilhas e sem opções com a muleta; e Juan del Álamo esforçado com o quarto e autor dos melhores momentos da noite no sexto. O toiro começou por investir largo, Álamo apoderou-se dele, sentiu-se toureiro, e recompensou, com toureio caro, os aficionados que aguentaram até ao fim.  

Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE IV)

VILA FRANCA DE XIRA: A (POLÉMICA) SAÍDA EM OMBROS DE PADILLA…

Padilla merece todo o meu respeito. Pela dor que passou. Pela luta que travou. A sua história sensibiliza a todos…  e Padilla tornou-se um herói de “carne e osso”. Mas ponto final. Em Portugal, Juan José está como “peixe dentro de água”, o público paga para o ver, e Padilla tira partido da sua imagem. Ao contrário do que acontece no seu país, sabe que não precisa cortar orelhas para sair em ombros.  Em Vila Franca voltou a exceder-se. Houve quem protestasse, quem assobiasse, mas Padilla atravessou a arena da Palha Blanco sem que algo de importante o justificasse… A tarde em que se homenageou o Maestro Vitor Mendes teve outras recordações: a segunda actuação de João Telles Jr., a pega de Vasco Pereira e duas faena de António João Ferreira que o acreditam para voos mais altos.

Texto: Catarina Bexiga. Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE III)

MONTIJO: TRINTA ANOS DE ALTERNATIVA E UMA ENCERRONA…

Na temporada em que comemora 30 anos de Alternativa, Luís Rouxinol decidiu encerrar-se com 6 toiros. Fê-lo no passado Sábado, na sua terra, na sua praça. Quem conhece a trajectória de Luís Rouxinol, sabe que não precisa de justificar nada a ninguém. Desafiou-se a si próprio; e superou com dignidade o acontecimento. Teve ao seu lado a família e os amigos. Sentiu o carinho dos seus admiradores e dos aficionados. Trinta anos de Alternativa e uma encerrona. Este foi um sonho cumprido, o próximo está agendado para o dia 20 de Julho, com a Alternativa do seu filho, Luís Rouxinol Jr. Tratando-se de um Concurso de Ganadarias, venceram os prémios as ganadarias de Murteira Grave (bravura) e Jorge de Carvalho (apresentação). O troféu para a melhor pega recaiu em Élio Lopes (Amadores do Montijo).

Texto: Catarina Bexiga

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE II)

ÉVORA: AS LÁGRIMAS DE ANTÓNIO ALFACINHA

Lotação esgotada em Évora para ver a despedida de um grande forcado. António Alfacinha disse “Adeus”, na passada Sexta-feira, da chefia do seu grupo e na sua cidade. Deixou herança. Um exemplo de agregação e superação em todos os momentos. Alfacinha deu duas clamorosas e merecidas voltas à arena; e passou o futuro dos Amadores de Évora para as mãos de João Pedro Oliveira. Os homens também choram? Claro que sim! Porque têm sentimentos e emoções. António Alfacinha sempre “quis” o seu grupo e o seu grupo faz parte da sua história, da sua vida… Do cartel sobressaiu a veterania de João Moura, com o seu segundo toiro de Passanha. Foi com o cavaleiro de Monforte que o Toureio a Cavalo mais brilhou.

Texto: Catarina Bexiga. Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTO DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE I)

CAMPO PEQUENO: UMA ALTERNATIVA COM AMIZADE E GRATIDÃO


Amizade. Gratidão. Triunfo. Parreirira Cigano tomou a Alternativa, na passada quinta-feira, na Monumental do Campo Pequeno, e com um simples gesto - de amizade e gratidão - brindou o toiro do doutoramento a quem lhe proporcionou concretizar o seu sonho: empresa, apoderado, Manuel Jorge de Oliveira (o seu Mestre) e a Joaquim e João Oliveira. Parreirita sentiu-se a gosto e com o seu toureio defendeu o protagonismo. O triunfo valeu-lhe a repetição na próxima Quinta-feira. A ele, e a Jacobo Botero. É importante que ambos aproveitem agora as oportunidades que surjam…. A vitalidade da Festa de Toiros passe pelos jovens!

Texto: Catarina Bexiga Foto: João Silva